É a pergunta que mais ouço de quem vai comprar casa: fixo ou variável? A resposta honesta é que depende do seu caso, mas depender do caso não quer dizer que não haja critérios claros. Vamos a eles.
As três opções em cima da mesa
Taxa variável
A sua taxa é a soma da Euribor com o spread do banco, e é revista a cada 3, 6 ou 12 meses. Hoje a média mensal da Euribor a 12 meses anda perto dos 2,798%, por isso com um spread de 0,5% pagaria uma TAN à volta de 3,3%. Se a Euribor descer, a prestação desce, e se subir, a prestação sobe. É a opção com maior potencial de poupança e maior incerteza.
Taxa fixa
A taxa fica congelada durante o período contratado, que pode ir de 2 anos à totalidade do prazo. A prestação nunca mexe nesse período, durma a Euribor onde dormir. Paga-se um prémio por essa tranquilidade: as taxas fixas costumam arrancar acima das variáveis equivalentes.
Taxa mista
Começa com um período fixo, tipicamente 2 a 5 anos, e depois passa a variável. Tem sido a escolha mais popular em Portugal nos últimos anos, porque protege nos primeiros tempos, que é quando o orçamento está mais apertado com mudanças e mobílias, e liberta depois.
As perguntas certas para decidir
- Que folga tem no orçamento? Se uma subida de 100 euros na prestação lhe estraga o mês, a estabilidade do fixo ou do misto vale o prémio. Meça primeiro a sua taxa de esforço.
- Quanto tempo vai ficar nesse crédito? Se há boas hipóteses de vender ou amortizar cedo, o variável costuma compensar, e atenção que o reembolso antecipado na taxa fixa tem comissão mais alta (até 2%, contra 0,5% na variável).
- Como reage a oscilações? Há quem perca o sono com a revisão semestral da prestação. Isso também conta, e muito.
Não existe a taxa certa para toda a gente. Existe a taxa certa para o seu orçamento, os seus planos e a sua tolerância a surpresas.
O truque que poucos fazem: comparar cenários
Antes de decidir, ponha os números lado a lado: a prestação com a taxa variável de hoje, com a fixa proposta e com a mista, e depois repita as contas imaginando a Euribor um ponto acima e um ponto abaixo. Em cinco minutos no simulador de prestação fica com uma imagem clara do risco real de cada opção.
E lembre-se: a taxa é só uma parte do custo. O spread, os seguros e os produtos associados pesam no valor final, e é no conjunto que se negoceia. Quando apresento propostas aos meus clientes, comparo sempre o custo total das ofertas, não apenas o número da taxa.
Já tem crédito? A escolha não é definitiva
Quem contratou taxa variável em alturas piores pode hoje mudar para mista ou fixa, seja por renegociação com o próprio banco, seja por transferência para outro. A análise é gratuita e muitas vezes revela poupanças que estavam à vista de toda a gente, menos do contrato.
Quer ajuda para escolher no seu caso concreto? Fale comigo e fazemos as contas juntos.
